A arte de viver franciscanamente

Muito se fala sobre a identidade franciscana. Sabemos que, com o decorrer do tempo, a forma de viver do Pobre de Assis inspirou muitas pessoas a viverem de forma modesta, simples e despojada. O mais interessante é que esse jeito desprendido de viver fez surgir diversas faces de uma mesma espiritualidade, de um mesmo ideal de vida, resultando num carisma sempre vivo e renovado.

Frei Robson Aguiar

Francisco de Assis fez de sua própria vida uma obra de arte. Num tempo envolto em guerras, doenças e exclusões, surge um verdadeiro artista a pregar a Paz e o Bem, de forma honesta e sincera, pois falava com o coração. A sensibilidade artística de Francisco foi revelada na vida fraterna, no acolhimento aos leprosos, na criação do presépio, nos cânticos e orações de própria autoria, no diálogo com os mulçumanos e no amor a toda criatura.

Todavia, o Pobre de Assis acreditava que todos os irmãos poderiam, na liberdade do ser, criar e recriar, trabalhar com as próprias mãos, pregar o evangelho com a própria vida e escolher um itinerário do qual o poder e a dominação não façam parte. Só se é artista na liberdade. É necessário amar a vida para conduzi-la na sacralidade interior de nosso ser. Francisco nos abriu um caminho íntimo de encontro consigo para, a partir desse encontro, fazer misericórdia com toda a criação.

A vida franciscana nos conduz a um relacionamento intenso com a alteridade, tornando-nos pessoas em plenitude. Nesse ambiente de relacionamento cheio de sentimentos e afetos, muitos dos seguidores de São Francisco encontraram na arte um espaço para expressar toda a intencionalidade do viver. Dar sentido à vida no encontro com a arte é trazer toda a sensibilidade do ser para o relacionamento efetivo e afetivo com os irmãos e irmãs.

Frei Thiago Emanuel

A arte de viver franciscanamente parte do desejo de lançar-se inteiramente em suas composições artísticas, que fogem de qualquer normatização e engessamento. Pois para ser franciscano é necessário um espírito livre, que fale de si na autenticidade, que promova a paz, que seja menor. Afinal, toda a arte de viver parte do reconhecimento do mundo como sendo o nosso claustro, livres para se encontrar com o Sagrado que habita na simplicidade do ser artístico.

Sendo assim, quem enxerga a vida com os olhos da arte faz do simples algo grandioso. Contempla a criação e se integra a ela na inteireza. O poeta, o dançarino, o ator, o pintor e o cantor sabem muito bem que a beleza da arte está na intensidade que é colocada naquilo que faz. A obra de arte é o próprio relacionamento humano que toca o mais íntimo do ser na busca do amor e, quando o encontra, mergulha na simplicidade e vive o grande sonho da fraternidade universal.

Sobre o autor

Religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos na Província de Minas Gerais. Graduado em Filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino. Graduando em Teologia pelo mesmo Instituto. Atuação em Dança Contemporânea.

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